sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Melaleuca - Tea tree


A melaleuca é uma árvore com propriedades medicinais, originária da Austrália. Uma das principais espécies do gênero empregadas na terapêutica, é a Melaleuca arternifolia, pertencente à Família Myrtaceae. É também conhecida como árvore-do-chá, árvore-ti ou mirto-de-mel.

De suas folhas se extrai um óleo com boas quantidades de terpenos, terpinenol, sesquiterpenos e cineol, substâncias derivadas do metabolismo secundário da planta, e, portanto, responsáveis pela defesa da planta e que possuem atividade antimicrobiana.

Estudos revelaram que os componentes do óleo impedem a produção de superóxidos pelos monócitos, mas não pelos neutrófilos, células responsáveis pela defesa do corpo e pela inflamação, sendo que as primeiras estão mais presentes na inflamação crônica e as segundas na aguda. In vitro também foi visto que suprimem a produção de fator de necrose tumoral, interleucinas e prostaglandinas, agentes pró-inflamatórios. E além de solvente, já foi observada ação do seu óleo sobre bactérias gram negativas, gram positivas e fungos.

Exemplos de microorganismos, nos quais foi observada sensibilidade frente ao óleo desta planta, como Tricophytum sp, Candida sp e Microsporum sp são agentes patogênicos também em animais.  Simões et al (2002) realizaram um estudo para determinar a ação antimicrobiana sobre cepas de estafilococos do óleo de melaleuca in vitro e in vivo, e concluíram que houve boa ação do óleo. Nesta pesquisa, cepas de estafilococos resistentes, as denominadas MRSA, também foram inibidas. Estas bactérias são as principais causadoras de infecções na pele dos cães, embora, como nos humanos, façam parte da microbiota normal. Nos humanos, a espécie presente é a S. aureus, e em cães, a S. pseudointermedius.

Diante disso, já encontramos o óleo da melaleuca em shampoos e loções medicamentosas ou o próprio óleo bruto para uso tópico destinados ao tratamento de diversos problemas de pele, desde os ocasionado por fungos e bactérias, até os por ácaros que causam a sarna sarcóptica em cães, gatos e cavalos. Como já dito, os terpenos são os responsáveis por tal ação e supõe-se que nos ectoparasitas seu efeito seja pela inibição da enzima acetilcolinesterase, influenciando no metabolismo do parasita e levando a morte.

O shampoo de melaleuca permite limpeza e proteção da pele, por sua ação bactericida e fungicida, além de antiinflamatória. Um dos exemplos comerciais do shampoo é indicado a animais sensíveis, é hipoalergênico por ser fitoterápico, e seu uso é muito seguro, tanto para tratar quanto para uso contínuo como preventivo. É interessante ressaltar que tal fator é uma vantagem ao empregarmos um produto fitoterápico, que pode ser usado continuamente sem problemas de criação de resistência por parte de patógenos ou efeitos colaterais aos animais, o que ocorreria no caso de antibióticos e anti-fúngicos, além disso podemos utilizar em filhotes e idosos sem restrições.

É importante ressaltar que alguns animais apresentam reações alérgicas aos componentes do óleo da melaleuca, com quadros de intoxicação onde o animal apresenta sinais de hipotermia, desidratação, ataxia, tremores e coma, por isso, muito cuidado no uso do óleo bruto e ao instituir uma terapia sem monitoramento de um médico veterinário para o seu animal.

Ainda seria interessante estudar tratamentos com o óleo de melaleuca em outras espécies como as aves e outras afecções dos animais domésticos como a sarna demodécica, que possui tratamento muitas vezes custoso e ineficaz para alguns animais, além de em grande maioria de casos estar associada com problemas bacterianos e fúngicos da pele dos cães o que dificulta o sucesso terapêutico.

Texto e foto: Médica Veterinária Carolina Granconato de Abreu

Referências

Allerdog Hipoalergênico – Manual técnico. CEPAV PHARMA Ltda. Disponível em:

FARIA, A. M. Tratamentos convencionais e fitoterápicos para o controle de sarna sarcóptica nos animais domésticos (Revisão de literatura). Trabalho apresentado na Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2011.

Melaleuca – Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Melaleuca

SIMÕES, R. P. et al. Revista Lecta, Bragança Paulista, v. 20, n. 2, p. 143-152, jul./dez. 2002.

Um comentário:

  1. Olá. Minha cachorrinha tem demodicidose e se coça muito. Queria experimentar o uso tópico do óleo de melaleuca com babosa. Qual a quantidade segura (e eficiente) de melaleuca a ser diluída na água para que eu possa usar em um borrifador ou no xampu?

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